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Opiniões

“Selva Brasil”, de Roberto Causo, Ainda Chama a Atenção

Lançado pela Editora Draco em 2010, a novela de história alternativa Selva Brasil, de Roberto Causo, continua chamando a atenção dos blogueiros literários. A Draco tem um trabalho muito bom de divulgação nos blogs, fazendo circular exemplares do livro e resultando em críticas positivas e recomendações, nos últimos dois anos.

 

Arte de capa de Erick Sama.

Selva Brasil foi escrito no início da década de 1990, parte de um trio de novelas de ficção científica ambientadas na Amazônia, e que inclui Terra Verde (também publicada pela Draco) e O Par: Uma Novela Amazônica (ganhadora do Projeto Nascente 11 e publicada pela Editora Humânitas). Erick Sama fez a capa e editou o livro.

A novela imagina o resultado, em 1993, de uma invasão das Guianas, na fronteira norte do país, pelas forças armadas brasileiras, seguindo um plano esboçado pelo Presidente Jânio Quadros no início da década de 1960 — fato que faz parte das “teorias de conspiração” da história do Brasil.

Em dezembro de 2016, Yvens Castro escreveu no blog Saga Literário: “Selva Brasil é uma grata surpresa, pois consegue mesclar elementos de aventura, guerra e ficção científica. O autor traz uma obra eletrizante, apresentando uma linguagem informal, repleta de gírias militares, o que torna a história mais real … Recomendo a obra, principalmente para quem gosta de ficção científica.”

Em janeiro de 2017, Carlos Rocha, no site do Selo Multiverso Editorial, resenhou Selva Brasil e comentou: “Selva Brasil mergulha o leitor num ambiente chuvoso e tenso, onde um conflito de guerrilha se desenrola, e bem referenciado com a terminologia própria utilizada pelos militares do exército brasileiro, gírias, nomes de armamentos e veículos militares … É um livro recheado de ação … Além disso, há um dimensão íntima que surge das dúvidas, memórias e angústias do protagonista na medida em que a trama avança … É uma prosa simples, direta, mas que em alguns trechos alcança um aspecto poético, na descrição de situações, da natureza e da dimensão dos sentimentos.”

Também em janeiro, Paulo Vinicius F. dos Santos resenhou o livro no blog Ficções Humanas, afirmando: “A escrita do autor é fantástica. Quando eu percebi o que ele estava fazendo, meus olhos brilharam … [No] geral o livro é bom e apresenta elementos curiosos como a própria escrita do autor e a ambientação criada na qual ele centra sua trama.”

E em julho, Rodrigo Mozelli discutiu o livro no blog Bio-Livros: “Selva Brasil cumpre o que promete, é leitura rápida … e obrigatória para quem, como eu, gosta de uma boa leitura sobre guerra e, ainda mais, quando mistura este universo com uma boa pitada — na medida certa — de ficção.”

Selva Brasil está disponível em papel e como e-book. Confira no site da Editora Draco.

 

 

 

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Ramiro Giroldo (da UFMS) resenha “Shiroma, Matadora Ciborgue”

O escritor Luiz Bras criou o blog Ficção Científica Brasileira como um guia de leitura e testemunho da existência da FC nacional, dirigido especialmente a quem duvida.

Desde a sua recente criação em dezembro de 2016, o blog já publicou mais de uma dúzia de resenhas — e uma lista de obras brasileiras de destaque, fornecida por várias personalidades da FC nacional de hoje.

Glória Sombria

Arte de Vagner Vargas

Em janeiro, o Prof. Ramiro Giroldo, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, publicou duas resenhas do Universo GalAxis. A primeira, do romance Glória Sombria: A Primeira Missão do Matador, apareceu em 10 de janeiro.

Agora, no dia 15, foi publicada uma resenha de Shiroma, Magadora Ciborgue, na qual Giroldo registra o “completo domínio narrativo de Causo, que salta aos olhos na forma como a fabulação mantém um ritmo instigante e sem embaraços”, e ainda, como “Shiroma é uma representação positiva do feminino, capaz de evocar analogias com a circunstância autoritária imposta pelo patriarcado”.

Finalmente, a nova resenha também reconhece como a série Shiroma, Matadora Ciborgue destaca a “tradição literária da ficção científica explicitamente trazida à tona nas dedicatórias de algumas das narrativas, interessadas em homenagear autores como Fausto Cunha, Rubens Teixeira Scavone e Clark Darlton”.

 

 

Shiroma Matadora Ciborgue

Arte de Vagner Vargas

 

 

 

 

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Leia a introdução do escritor Nelson de Oliveira fez para “Shiroma, Matadora Ciborgue”

Nelson de Oliveira é um dos escritores brasileiros mais renomados de sua geração — a Geração 90 —, autor de Subsolo Infinito, Babel BabilôniaPoeira: Demônios e Maldições, e duas vezes ganhador do Prêmio Casa de las Américas e do Prêmio da Associação dos Críticos de Arte. Nos últimos anos, tem se voltado para a ficção científica, escrevendo como “Luiz Bras” e assinando obras de relevância como a coletânea de histórias Paraíso Líquido e os romances Sozinho no Deserto Extremo e Distrito Federal. Oliveira tem acompanhado a evolução das séries Shiroma, Matadora Ciborgue e As Lições do Matador. De fato, não fosse por sua atuação como editor da antologia Futuro Presente e das revistas do Projeto Portal, talvez nenhuma das duas séries chegasse a existir. O texto abaixo é a introdução do livro de histórias Shiroma, Matadora Ciborgue (Devir; 2015).

 

Nelson de Oliveira. Foto de Tereza Yamashita

Nelson de Oliveira. Foto de Tereza Yamashita

 

Introdução

O conto “Rosas Brancas” foi um presente maravilhoso de Roberto de Sousa Causo para o nascente Portal Solaris (primeiro dos seis números do Projeto Portal). Esse conto dá início à arrebatadora série protagonizada por uma órfã — Bella Nunes — obrigada a crescer e sobreviver entre assassinos profissionais. Muito mais tarde, em sua primeira missão (“O Novo Protótipo”), Bella se transforma em Shiroma. Essa narrativa ambientada no bairro da Liberdade é uma de minhas prediletas. Enfim, tive a sorte de acompanhar, em primeira mão, o nascimento e o desenvolvimento de uma protagonista bastante incomum.

Na mesma época, a pesquisadora Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília, divulgava seu estudo sobre o espaço social no romance tupiniquim, denunciando o nosso estereótipo de protagonista (homem branco, hetero, de classe média). Logo ficou claro que esse clichê ficcional também domina o conto brasuca. Shiroma veio combater essa tendência.

Shiroma é guerreira, mas às vezes aparece bastante fragilizada emocional e fisicamente, e esse é um ponto importante em toda a série. Isso humaniza a heroína ciborgue. E o recurso da concha do mar é genial. Suas aventuras nas Zonas de Expansão Humana são uma lufada de ar fresco no ambiente modorrento da literatura contemporânea. Shiroma é a contraparte necessária de Jonas Peregrino, outro importante protagonista criado pelo autor. Os dois habitam um universo físico e mental ampliado pela tecnologia mais inquietante. Mas vivem em planos opostos, apesar da sobreposição gravitacional. Shiroma e Peregrino são diferentes até na semelhança psicológica: ambos lidam com os conflitos morais mais complexos, quase indecidíveis.

A promessa de que um dia se encontrarão mexe com minha fantasia erótica. A matadora ciborgue e o comandante dos Jaguares:
amigos, antagonistas, amantes? Mal posso esperar.

Esta é uma coletânea densa, que merece mais de uma leitura. Reunidos, os onze contos que a compõem se iluminam, oferecendo muitas camadas secretas. Eles tecem ao redor de Shiroma um casulo de violência e nostalgia, uma jaula emocional cuja única chave pode estar nas lembranças despertadas por uma concha do mar.

—Nelson de Oliveira
São Paulo, outubro de 2015

 

selo_shiroma_baixa

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