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Leituras de Dezembro de 2019

O ano fechou com muita leitura de ficção científica ecológica e de outros tipos, e de obras que aproximam ficção mainstream e ficção de gênero, além de um interessante livro de não ficção sobre cinema de FC.

 

Arte de capa de Marty Blake.

A Friend of the Earth, de T. Coraghessan Boyle. Nova York: Viking, 1.ª edição, 2000, 272 páginas. Arte de capa de Marty Blake. Hardcover. Conheço o respeitado autor mainstream T. Coraghessan Boyle da revista The New Yorker. Ele já apareceu no Brasil com o romance América (The Tortilla Curtain; 1995). Este A Friend of the Earth é uma ficção científica, por ser ambientado em futuro próximo no qual o crise climática vai com ventos de furacão. Um militante conservacionista rememora as encrencas do passado, enquanto administra o zoológico particular bancado por um astro da música pop. Há algo de Bruce Sterling — autor de Tempo Fechado (1994), romance cyberpunk sobre o agravamento do clima — na premissa, na linguagem elaborada e no protagonista idiossincrático. De fato, Boyle tem um texto que, felizmente, escapa da tendência ao minimalismo. Mas foi a primeira vez que me recordo de ter encontrado tantos momentos de hiper-realismo que terminam sendo chatos.

O presente da narrativa é o ano 2025, em plena crise climática, mas o romance frequentemente retorna aos anos 1980 e 1990, quando o herói, Tyrone Tierwater, era um militante ambientalista radical, envolvendo a filha Sierra nas suas aventuras. Os capítulos do presente são narrados na primeira pessoa, os do passado, na terceira, reforçando a noção subjacente de que Tierwater reavalia a sua vida a partir de uma distância temporal e existencial, já que ele agora tem mais de setenta anos de idade e se depara com o ressurgimento de sua ex-esposa e ex-colega militante, Andrea. De fato, nas duas vozes o romance acaba sendo mais um exame da personalidade irascível do herói, do que um mergulho multifacetado ou aprofundado do ambientalismo e conservacionismo americanos (que ele pouco detalha), com muitos momentos patéticos e outros ferozmente irônicos. Chamado pela imprensa de “Homem Hiena” por ter colocado a filha em risco, Tierwater é tratado como um cara irado e confuso, que encontrou na causa uma válvula para a raiva indefinida que sente contra a sociedade. Não é dos protagonistas mais instigantes e seus traços de personalidade pouco ressoam com o assunto ambiental. Mais que isso, a abordagem do romance se ressente da sugestão implícita de que apenas alguém profundamente ressentido teria tamanha dedicação a uma causa que se revela, na própria lógica do romance, a mais importante em um mundo que afunda rapidamente num estado ainda mais deplorável de existência.

 

Arte de capa de Fernando Costa.

Os Filhos do Rio, de Paulo Condini. São Paulo: Carthago & Forte Editoras Associadas, 1994, 240 páginas. Arte de capa de Fernando Costa. Brochura. Acho que foi Gilberto Schoereder,