Campos de Batalha: A Esfera

Sobre a Esfera

A nebulosa escura do “Saco de Carvão” (a 600 anos-luz da Terra) e a constelação de Crux (o Cruzeiro do Sul), atrás dos quais se imagina que se localize “A Esfera”, a mais de oito mil anos-luz do Sistema Solar.

Até a Retração Tadai, o que se sabia da Esfera era que a concentração de sóis se situava a meio caminho entre o Sistema Solar e o Braço de Crux, o que devia significar uma distância de mais de oito mil anos-luz da Terra. Alguns diziam que ela se estendia, incógnita, por atrás do Saco de Carvão, a nebulosa escura que divide a Via-Láctea conforme vista da Terra, na constelação do Cruzeiro do Sul. Outros apontavam outra nebulosa escura, a Olho da Fechadura, em Eta Carina, a nove mil anos-luz da Terra, como a “Fechadura da Esfera”. Mas o centro e os limites da Esfera existiam sob um véu de segredo, de desinformação e de um sem-número de aterrorizantes cláusulas de sigilo que incluíam execução sumária, degredo, trabalhos forçados em grupos de mineração de asteroides não-catalogados.

Com a Retração Tadai, a Esfera torna-se a Zona 4 de Expansão Humana. Só então seu véu de mistério começa a ser levantado, e uma corrida planetária é lançada entre os blocos políticos humanos, envolvendo também alguns povos alienígenas.

 

Planeta Cantares

Arte por Vagner Vargas e Diogo de Souza
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Localizado nas profundezas da Esfera e também envolto em segredos por Terradécadas, Cantares abriga o Quartel General da Esquadra Latinoamericana da Esfera, no 7.º Distrito das Forças Espaciais. O planeta, pouco menor do que a Terra e com uma gravidade superficial de 0.91G, orbita o gigante gasoso Dionísio, que, por sua vez, gira em torno do sol G3 Maestro.

Chorinho, com pouco mais de 20 mil habitantes, é o centro administrativo de Cantares. Outras cidades de porte construídas pela Latinoamérica incluem Guaranha, Tango e Samba. O planeta possui localidades menores, dedicadas principalmente a atividades de subsistência da colônia, com indústrias agrícolas e pesqueiras, e de processamento de plâncton e algas.

O planeta apresenta fortificações compostas de poderosas baterias de superfície localizadas nos polos e no equador, além de estações orbitais de canhões de alta energia e mísseis, tripuladas ou automatizadas, algumas mantendo esquadrilhas de caças de interceptação.

Há mais de um milhão de anos, Cantares passou por um processo catastrófico quando Dionísio perturbou sua órbita, afastando-o de sua posição na zona de habitabilidade do sistema de Maestro. A perturbação da órbita de Cantares não deve ter sido extrema, creem os cientistas, ou a extinção em massa sofrida por sua biosfera teria sido muito maior do que a verificada até o momento pelas pesquisas. Uma hipótese levantada mas pouco discutida é a de que uma alta civilização — talvez local, porém mais provavelmente extra-cantariana — teria preservado parcela significativa da biosfera, e a reintroduzido depois que a órbita se estabilizou. A base da hipótese são lendas e criptocosmologias que fazem parte das culturas do Povo de Riv, dos tupacnibas e dos tuiutineses, em torno de uma civilização ancestral que teria florescido antes que essas espécies tivessem ganho as estrelas, sem falar nos humanos.

Cantares, com uma biosfera sobrevivente surpreendentemente rica, terminou como um satélite de Dionísio, capturado em tempos relativamente recentes — centenas de milhares de anos. A órbita deveras elíptica, na qual o mundo terrestroide se aproxima lentamente do gigante de gás, para então circundá-lo em menos de um Terradia, testemunha o quão recente foi a captura — e faculta a Cantares um tempo mínimo sobre o eclipse solar causado por Dionísio. O ângulo de sua órbita, oblíqua em relação aos outros satélites do sistema, todos alinhados com o equador do gigante, também é evidência conclusiva. Que até então não tenha havido um choque cataclísmico entre o recém-chegado e os moradores mais antigos do sistema parece igualmente miraculoso, e isso tem estimulado hipóteses de que uma arqueoengenharia planetária tenha instalado Cantares com segurança ali, os mesmos alienígenas misteriosos (talvez uma civilização do Tipo II na velha Escala de Kardashev), sendo fonte também desse desígnio.

A proximidade do gigante gasoso e sua poderosa força de atração significaram alguns encontros de Cantares com asteroides e cometas. Alguns deles representaram novos episódios de extinção em massa, em escala bem menor. A riqueza vital desse mundo é testemunho de sua espantosa resistência.

[Cantares figura no livro Glória Sombria: A Primeira Missão do Matador, e nas histórias “Trunfo de Campanha” e “A Alma de um Mundo”]

 

Mapa por Diogo de Souza – Clique para ampliar